Psicosaber

A construção subjetiva infantil segundo Melanie Klein

Posted on: 19/04/2010

Como ocorre o desenvolvimento infantil segundo Melanie Klein? Na psicanálise construída por Melanie Klein encontramos o conceito de posição, tal conceito remete a forma de como se constitui a subjetividade do bebê, e para Klein existem duas formas de constituição da subjetividade ou duas posições, que acontecem de forma processual. Tais posições podem ser denominadas de posição esquizo-paranóide e posição depressiva.

A posição esquizo-paranóide inicia no nascimento até os seis meses de idade. Na posição esquizo-paranóide o desenvolvimento do eu é determinado pelos processos de introjeção e projeção. A primeira relação objetal do bebê ocorre com o chamado seio amado e odiado – seio bom ou seio mau. Os impulsos destrutivos e a angústia persecutória encontram-se no seu apogeu, assim como os processos de divisão, onipotência, idealização, negação e controle dos objetos internos e externos.

Segundo Melanie Klein a defesa primordial é a clivagem, o seio é o objeto primordial e será dividido em seio bom e seio mau, ou num bom objeto que o bebê possui e num mau objeto que está ausente, como mãe nunca está sempre presente na vida bebê para amamentá-lo ela se torna ausente e o bebê com isso inaugura o processo de clivagem em sua subjetividade. Ele percebe o seio como “bom” porque o amamenta e como “mau” porque se ausenta.

Como se percebeu, o bebê nessa fase se relaciona com objetos parciais, o seio bom e mau, um objeto ideal e outro persecutório. Porém, o objeto mau é projetado para fora do bebê como sendo perseguidores e destruidores do objeto bom. Nessa fase vemos a existência de uma angústia persecutória, então a meta da criança nessa fase é de possuir o objeto bom e introjetá-lo e também de projetar o objeto mau para fora e assim evitar os impulsos destrutivos.

Num segundo momento, se desenvolve a posição depressiva, ela inicia aos seis meses de idade, nesse momento a relação do bebê com o mundo externo se torna mais diferenciada, aumentando sua capacidade de expressar emoções de se comunicar com as outras pessoas.

Nesse momento, o bebê reconhece a mãe como um único objeto, ou seja, o bebê começa a reconhecer a mãe como uma pessoa total com existência própria e independente, fonte de experiências boas e más. A criança compreende pouco a pouco que é ela quem ama e odeia a mesma pessoa, sua mãe, e assim inaugura a experiência do chamado sentimento de ambivalência.

Agora o bebê percebe que antes temia a destruição do seu objeto amado por perseguidores e agora ele teme que essa sua agressão possa destruir o objeto ambivalentemente amado e odiado. Sua angústia deixa de ser paranóide pra ser depressiva. E assim começa a se originar sentimentos de culpa e luto, como afirmar Melanie Klein.

Com isso se inicia um processo de reparação dessa relação objetal ambivalente. É com esse processo de reparação desse luto e culpa é que será a melhor saída da posição depressiva. Esse processo se dá com a aceitação da perda de parte do objeto, ocorrendo essa condição o bebê poderá restaurá o objeto amado, porque somente assim ele poderá reparar o desastre ocorrido e assim preservar o objeto amado de outros ataques dos objetos maus, esse processo de superação e reparação, segundo Melanie Klein, é o chamado de trabalho de luto.

Através da aceitação da perda é que o bebê passa a trabalhar saudavelmente a construção de sua subjetividade.

E de acordo com Melanie Klein, nós sempre estaremos vivendo as posições esquizo-paranóide e depressiva ao decorrer de nossas vidas, sempre de forma alternada, segundo a psicanálise kleiniana, essas são as únicas formas de se viver a angustiante e terrível vida humana.

REFERENCIAL BIBLIOGRAFICO

 

COSTA, Teresinha. Psicanálise com crianças. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 2007.

NASIO, J. –D. Introdução às Obras de Freud, Ferenczi, Groddeck, Klein, Winnicott, Dolto, Lacan. Rio de Janeiro: Ed. Jorge Zahar, 1995.

Cleison Guimarães é aluno do 5º período da graduação do curso de Psicologia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE. Além de estudante é escritor iniciante. Ele mantém um blog – cleisonguimaraes.blogspot.com. No seu blog você pode encontrar contos de sua autoria, dicas de música e de outros escritores, pensamentos sobre o cotidiano e relatos de episódios de sua vida. Você também pode encontrá-lo no Twitter – twitter.com/cleisonguiraes. Ele também é colunista da revista on-line Gosto de Ler, onde ele escreve contos e indica leituras de romances, nesse link você poderá ler suas matérias: http://www.gostodeler.com.br/curriculo/464/cleison_guimaraes.html

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6 Respostas to "A construção subjetiva infantil segundo Melanie Klein"

Cleison, quero elogiar o resumo que você efetuou sobre a teoria de Melanie Klein, pois tornou-a simples para compreensão. Sinceramente os conceitos de Klein são para mim de difícil elaboração no primeiro contato, para torna-la familiar se faz necessário muita leitura e discussão, por tanto quero agradecer pela grandiosa ajuda. Abraços!

Gostaria de parabenizá-lo pela forma como sintetizou a teoria de Melaine Klein. Sei o quanto é difícil, mas o seu texto deixou mais acessível para introduzir outras leituras da teoria , que com certeza será bem mais complexo.
Obrigada!

Oi

Gente… estou fazendo um trabalho referente o “Luto” por Melaine Klein, alguém tem algum material que possa contribuir…

Desde já agrdeço…

Adorei o blog…

Lais

Gleison, sinceramente nem M. Klein expressou tão bem sua descoberta.Bem diz aquela máxima “Podemos nos tornar poderosos pelo conhecimento,mas atingimos a plenitude pela simplicidade”.(Tagore)
Estou no sexto semestre de psicologia e estarei fazendo exame desta matéria.
Sua explicação fez com que muitas horas de estudo possam ser dedicadas a outra matéria. Gratissíssima. Dilva

Olá pessoal, sou um admirador e estudioso da obra Psicanalítica que é meu embasamento teórico para minha formação como Psicólogo. Admiro muito a capacidade e coragem de Freud em descobrir e manifestar suas idéias, que continuam muito atuais a nossa civilização mundial. Se procurarmos em tuda base de formação, desde uma casa, desde uma educação ao um cão, até o amor de cuidado a uma planta, notamos a diferença. Como não pode existir algo que possamos ir além, A Psique está além do corpo(Freud). Abraço a todos que não ignoram a capacidade do ser humano.
Gonçalo. (Psicólogo)

Parabens pelo resumo, hoje faço prova de Klein e até o momento não havia compreendido a teoria, agora acho que vaiii1!!!!

Parabéns mais uma vez ;)

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