Psicosaber

Diferenças na criação de meninos e meninas podem prejudicar a criança; veja exemplos

Posted on: 06/07/2011

KATIA DEUTNER
Colaboração para o UOL

Muitas diferenças são construídas socialmente e podem prejudicar o desenvolvimento das crianças

Quem nunca ouviu as frases: “Seu irmão pode porque é homem” ou “Você é homem e não precisa disso”? Uma verdadeira chatice para os filhos, mas para os pais, não. Criar de forma diferente meninos e meninas ainda é comum nas famílias brasileiras. “Elas são educadas para serem meigas, delicadas, cuidadoras, com incentivo à maternidade, à domesticidade e ao embelezamento. Já eles são encorajados a serem agressivos, ativos, independentes”, diz a psicóloga Jane Felipe, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

As expectativas que a sociedade estabelece entre homens e mulheres. “Há pesquisas que mostram o quanto os adultos se preocupam, até mesmo com bebês, de forma diferenciada em função do sexo. Por exemplo, quando um menino tem sono inquieto, isso não é motivo de preocupação, pois espera-se que eles sejam mais agitados. No entanto, para as meninas, os pais consideram preocupante, pois acham que elas devem ser mais calmas.”

E isso é certo?

Diferenças existem e devem ser respeitadas. “Entretanto, os pais precisam se atentar para que essas especificidades não sejam traduzidas em forças e fraquezas, em qualidades e defeitos, mas em comportamentos próprios, não só ao gênero ao qual pertencem, mas também ao ambiente social e ao comportamento que é esperado neste meio”, afirma a psiquiatra Ivete Gianfaldoni Gattás, coordenadora da Unidade de Psiquiatra da Infância e Adolescência da Universidade Federal de São Paulo.

“Cada filho deve ser criado diferentemente, já que se trata de um ser único, com necessidades, desejos, potencialidades e limitações únicas. Depende da demanda de cada um, se estiver estritamente ligada ao gênero, sim, haverá diferenças de criação, do contrário não”, explica a psiquiatra.

Oportunidades iguais

De acordo com os especialistas, diferenças entre os sexos não são naturais, mas construídas socialmente. “Cabe aos pais dar oportunidade a experiências diversas a seus filhos e filhas. Por exemplo, dar às meninas brinquedos e brincadeiras que incentivem o raciocínio lógico-matemático da mesma forma que incentivam os meninos”, afirma Jane Felipe. “Os mesmos cuidados com um filho, que sai para a balada e volta de madrugada, também deve ser dado à filha. Ensinar a arrumar seu próprio quarto, preparar sua refeição são atribuições de todos, sejam meninos ou meninas”, segundo Ivete Gattás.

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Para eles


1. Não comenta o erro de tratar o menino com rispidez. Infelizmente, os adultos têm essa péssima mania. “Estudos demonstram que os pais abraçam e acariciam muito mais as filhas, mesmo quando recém-nascidas, e falam menos com os meninos. As mães dos meninos tendem a bater neles com mais força e com mais frequência do que o fazem com as meninas.”

2. Demonstre interesse e prazer em ensinar e conversar com seu filho. “O cérebro dele desenvolve maior habilidade verbal e ele se torna mais sociável.”

3. Mães devem ser mais presentes nos primeiros anos. Privar o filho de calor e afeto de sua presença faz com que o menino desligue a parte mais terna e amorosa. “Ele conclui que dói demais amar alguém sem ser correspondido. No futuro, terá problemas tornando-se um homem tenso e irritável.”

4. Decisões devem ser tomadas em conjunto pelos pais. Não deixe o trabalho difícil só para a mãe. Há maneiras de disciplinar calmas e firmes. “Faça questão do respeito. Não seja você também uma das crianças.”

5. Seja expansivo. Abrace, beije, brinque com atividades calmas. “Alguns pais temem que, por darem carinho a seus filhos, eles se tornem ‘maricas’ ou, talvez, gays. Não é assim. Na verdade, pode ser o contrário. Muitos gays ou bissexuais dizem que a falta de afeto paterno contribuiu para tornar a afeição masculina mais importante para eles.”

6. Tenha uma estrutura familiar. Meninos se sentem inseguros em perigo. “Se ninguém está no comando, eles começam a competir para determinar a ordem social. Sua natureza movida a testosterona os leva a querer estabelecer hierarquias.”

7. Pai deve ensinar qualquer coisa ao menino – ele irá adorar. “Se você não sabe pescar, fabricar objetos ou consertar carrinhos e computadores, tudo bem; vocês podem aprender juntos. O importante é tentar.”

8. Encontre algo que ocupe o espírito do menino quando ele completar 14 anos. Dê asas à sua existência. “Todos os pesadelos que povoam a imaginação dos pais (álcool, drogas, crimes) só acontecem quando não encontramos canais para o desejo que o jovem tem por glória e papéis heroicos.”

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Para elas.

1. Se ela errar, não avalie os erros, mas anime-a a usar o fracasso como informação, por exemplo, incentivando assim: “Isso não deu certo. Então, talvez tenha outro caminho; você, com certeza, o achará. Ou então: “E daí? Tente de novo!”. “Pessoas que são fracas porque aprenderam a ser fracas estão convencidas de que não existe nenhuma relação entre a própria ação e o resultado dela. O que equivale a dizer: ‘Qualquer coisa que eu faça, nunca dá certo”, comenta a autora.

2. Não compare ou critique as crianças. “Isso nos leva para um caminho errado! Comparações não motivam; ao contrário, elas desencorajam, porque toda criança é um ser único, com suas capacidades, os seus conhecimentos e as suas experiências.”

3. Não oprima nas meninas sentimentos como raiva e agressões. “Consequentemente elas se desvalorizam, se limitam ou comentem algum ato de violência contra si mesmas.”

4. Desestimular atividades perigosas demais ou inaptas para meninas é um erro que os pais frequentemente comentem. “Eles dizem muitas vezes aos meninos para que se defendam, enquanto as meninas aprendem a aceitar as coisas e oprimir a agressividade.” É importante encarar desafios e ter coragem.

5. Incentive a descoberta da sexualidade. Meninas são mais reprimidas neste quesito do que os meninos, que apalpam os órgão sexuais com mais facilidade, enquanto que os delas são escondidos. “Ensine sua filha, quando ela manifestar interesse, de onde sai o xixi, o que é clitóris e através de qual abertura saem os bebês.”

6. Nem todas meninas querem bonecas. “Deixe que brinquem com bloquinhos de madeira, carros e guindastes. Não é aconselhável influenciar sua filha direcionando-lhe o interesse para determinados brinquedos. Pelo contrário: apoie os interesses dela. Dê-lhe estímulos bem variados. Siga a alegria dela, porque essa é a melhor motivação.”

7. Não dê preferência a nenhum filho. “Se o menino for o queridinho de todos, sua filha terá dificuldades em assumir a própria feminilidade. Mas se vocês conseguirem transmitir a cada criança a sensação de ser, com todas as suas características, amada e reconhecida, a vida familiar se desenvolverá em harmonia.”

8. Dê muito amor. “Uma criança sente que é amada e que tem valor se os pais cuidarem dela de modo que inspirem confiança e se levarem a sério suas necessidades.” Cada menina só pode desenvolver confiança no próprio valor se o amor dos pais se basear no seu valor como ser humano e que não é medido conforme rendimento ou aspecto físico.

ENTRE ELES E ELAS
Diferenças na educação dada pelos pais (e que podem ser repensadas):

Meninos
– Praticam artes marciais
– Brincam de carrinho
– Não ajudam em afazeres domésticos
– Podem sair sozinhos
– São menos contrariados e têm poucos limites
– Aprendem a não levar desaforo para casa
– São cobrados a ter desempenho intelectual e físico superior
– Podem falar palavrão
– Estímulo da sedução mais agressiva
– Podem brincar na rua

Meninas
– Fazem balé
– Brincam de boneca
– Precisam ajudar nos afazeres domésticos
– Não podem sair sozinhas
– Recebem educação mais rígida
– Aprendem que jamais podem se meter em confusão
– Menos estimuladas a se destacarem intelectualmente ou serem fisicamente fortes
– Proibidas de falar palavrão
– Estímulo do jogo de sedução casta
– Não podem sair

Fonte: Uol

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