Dor deixa rastro no cérebro

Pacientes com dor persistente têm aspectos sensoriais alterados, em especial aqueles relacionados com o sistema límbico, responsável pelas emoções. Essas variações potencializam a sensação e agravam o incômodo do paciente crônico. A informação foi apresentada no Brasil pela professora Herta Flor, titular do Departamento de Neurociência Clínica e Cognitiva de Ruprecht-Karls-University de  Heidelberg, na Alemanha. Segundo ela, quanto mais dor um indivíduo apresentar de maneira contínua, mais intensa ela tende a ser no futuro. As alterações neurológicas atingem de maneira similar homens, mulheres e crianças. Isso comprova que os episódios de dor deixam um “rastro de memória”, que são ativados na incidência seguinte e aumentam a sensação de desconforto. A pesquisadora está trabalhando no desenvolvimento de um “tratamento de extinção” ­– uma terapia para suprimir essa recordação traumática. Sua proposta é que o paciente bloqueie alguns aspectos relacionados a essa vivência, para desativar as áreas cerebrais que potencializam a sensação. O estudo foi apresentado na 4.ª Edição do  Congresso Interdisciplinar de Dor (Cindor 2009) da Universidade de São Paulo (USP).

 

Fonte: http://blogdamentecerebro.blog.uol.com.br/

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Sempre o mesmo assunto

garotas

Pesquisa mostra que falar exageradamente sobre angústias e frustrações com os amigos pode deflagrar depresão em garotas; já procurar um psicoterapeuta ajuda a ver possibilidades e interromper o ciclo de repetição

Falar sobre os próprios problemas de forma constante e repetitiva com amigos e conhecidos pode levar meninas adolescentes à depressão. A conclusão é de um estudo recente feito na Universidade Stony Brook. Pesquisas anteriores já indicavam que, em comparação com os rapazes, garotas tinham mais o costume de discutir com exagerada freqüência questões que as angustiavam com amigas, especulando sobre causas e insistindo excessivamente em emoções negativas. Nesse novo estudo, os psicólogos confirmaram que as jovens que adotam esse comportamento têm mais sintomas depressivos. Já conversar sobre o sofrimento psíquico com terapeutas costuma causar resultado bem diferente: maior auto-conhecimento, percepção de padrões indesejáveis de comportamentos e, consequentemente, maior autonomia para fazer as próprias escolhas e se responsabilizar por elas, sem se colocar no papel de vítima.

 

Fonte: http://blogdamentecerebro.blog.uol.com.br/

Por que às vezes temos o impulso de falar justamente o que não devemos?

Benedict Carey
The New York Times

O cérebro adulto gasta, na inibição, pelo menos a mesma energia que gasta na ação, sugerem alguns estudos
O cérebro adulto gasta, na inibição, pelo menos a mesma energia que gasta na ação, sugerem alguns estudos

As visões parecem subir do sistema de esgoto cerebral nas piores horas possíveis – durante uma entrevista de emprego, uma reunião com o chefe, um apreensivo primeiro encontro, um importante jantar. E se eu começasse uma guerra de comida com esses canapés? Zombasse da gagueira do anfitrião? Quebrasse o gelo com um comentário racial?

“Esse único pensamento é suficiente”, escreveu Edgar Allan Poe em “O Demônio do Perverso”, um ensaio sobre impulsos indesejados. “O impulso se desenvolve numa vontade, a vontade num desejo, o desejo numa compulsão incontrolável”.

Ele acrescenta, “Não existe na natureza um desejo tão demoniacamente impaciente, como o daquele que, estremecendo frente à borda de um precipício, medita a respeito de mergulho”.

Ou medita sobre a pergunta: estou doente?

Em alguns casos, a resposta pode ser sim. Porém, uma grande maioria das pessoas não age, ou raramente o faz, em tais compulsões – e sua suscetibilidade a rudes fantasias reflete, na verdade, o funcionamento normal de um cérebro social e sensitivo, segundo um artigo publicado na semana passada no jornal “Science”.

“Há todo tipo de ciladas na vida social, em todo lugar que olhamos; não apenas erros, mas os piores erros possíveis chegam a nossas mentes, e chegam com muita facilidade”, diz o autor do artigo, Daniel M. Wegner, um psicólogo de Harvard. “E ter a pior coisa entrando em nossa mente, em algumas circunstâncias, pode aumentar a probabilidade de que uma crise aconteça”.

A investigação das compulsões perversas tem um rico histórico (como poderia não ter?), passando pelas histórias de Poe e do Marquês de Sade, até os desejos reprimidos de Freud a observação de Darwin de que muitas ações são realizadas “em oposição direta a nossa vontade consciente”. Na última década, psicólogos sociais documentaram o quão comuns são essas vontades contrárias – e quando apresentam as maiores chances de alterar o comportamento de uma pessoa.

Num nível fundamental, funcionar socialmente significa controlar os próprios impulsos. O cérebro adulto gasta, na inibição, pelo menos a mesma energia que gasta na ação, sugerem alguns estudos, e a saúde mental depende da manutenção de estratégias para ignorar ou reprimir pensamentos profundamente perturbadores – da própria morte inevitável, por exemplo. Essas estratégias são programas gerais, subconscientes ou semi-conscientes, que habitualmente funcionam em piloto-automático.

Impulsos perversos parecem surgir quando as pessoas focam intensamente em evitar erros ou tabus específicos. A teoria é bastante direta: para não revelar que um colega é um grande hipócrita, o cérebro precisa inicialmente imaginar exatamente isso; a simples presença daquele catastrófico insulto, por sua vez, aumenta as chances de que o cérebro cuspa tudo para fora.

“Sabemos que o que é acessível em nossas mentes pode exercer uma influência no julgamento e comportamento simplesmente por estar ali, flutuando na superfície da consciência”, disse Jamie Arndt, psicólogo da Universidade do Missouri.

As evidências empíricas dessa influência têm se amontoado nos últimos anos, conforme Wegner explica no novo artigo. No laboratório, psicólogos fizeram pessoas expulsarem um pensamento de suas mentes – o de um urso branco, por exemplo – e descobriram que os pensamentos ficam voltando, aproximadamente uma vez por minuto. Da mesma forma, pessoas tentando não pensar numa palavra específica citam-na continuamente durante testes rápidos de associação de palavras.

Os mesmos “erros irônicos”, como Wegner os chama, são fáceis de evocar no mundo real. Jogadores de golfe instruídos para evitar um erro específico, como lançar longe demais, o fazem com mais frequência quando estão sob pressão, segundo estudos. Jogadores de futebol instruídos a chutar um pênalti em qualquer lugar do gol menos um local específico, como o canto inferior direito, olham para esse ponto com maior frequência que qualquer outro.

Esforços para ser politicamente correto podem ser particularmente traiçoeiros. Em um estudo, pesquisadores das universidades Northwestern e Lehigh fizeram 73 estudantes lerem uma vinheta sobre um colega ficcional, Donald, um homem negro. Os estudantes viram uma foto dele e leram uma narrativa sobre sua visita a um shopping com um amigo.

No estacionamento lotado, Donald não estacionou na vaga para deficientes, embora estivesse com o carro de sua avó, que tinha um passe, mas esbarrou em outro carro para se enfiar numa vaga comum. Ele insultou uma pessoa coletando dinheiro para um fundo do coração, enquanto seu amigo contribuía com alguns trocados. E assim continuou. A história propositalmente retratava o protagonista de maneira ambígua.

Os pesquisadores pediram que aproximadamente metade dos alunos tentasse reprimir estereótipos ruins de homens negros enquanto liam e, em seguida, julgasse o personagem Donald em critérios como honestidade, hostilidade e preguiça. Esses alunos avaliaram Donald como significativamente mais hostil – mas também mais honesto – do que os alunos que não tentaram reprimir os estereótipos.

Para resumir, a tentativa de banir preconceitos funcionou, até certo ponto. Porém, o estudo também trouxe “uma forte demonstração de que a supressão de estereótipos faz com que os mesmos se tornem hiperacessíveis”, concluíram os autores.

Fumantes, pessoas que bebem com frequência e usuários habituais de outras substâncias conhecem bem demais essa confusão: o esforço para reprimir o desejo por um cigarro ou uma bebida pode trazer à mente todas as razões para quebrar o hábito; ao mesmo tempo, o desejo aparentemente fica mais forte.

O risco de que as pessoas irão escorregar ou “perder” depende, em parte, do nível de estresse a que estão submetidas, diz Wegner. Concentrar-se para não olhar fixamente uma enorme verruga no rosto de um novo conhecido, enquanto troca mensagens de texto e tenta acompanhar uma conversa, aumenta o risco de que você diga: “Nós fomos comprar verruga – quero dizer, verdura. Verdura!”

“Pode haver certo alívio em simplesmente acabar com tudo, fazer o pior acontecer, para que você não precise mais se preocupar com o monitoramento”, disse Wegner.

O que pode ser difícil de explicar, é claro, seria caso você acabasse de abaixar as calças durante um jantar com os amigos.

 

Fonte: http://noticias.uol.com.br/ultnot/cienciaesaude/ultnot/2009/07/20/ult4477u1873.jhtm

A Hora “H”

A crise de meia-idade masculina é descrita por psicoterapeutas e médicos como um dos mais desestruturantes processos experimentados por um homem

Por Fernando Savaglia

A Hora H foto01 

Com 44 anos de idade A.S. tinha um excelente cargo dentro de uma multinacional. Casado há mais de duas décadas, mantinha uma relação extraconjugal com uma jovem estagiária da área de marketing de sua empresa. Durante meses trocaram e-mails e mensagens combinando encontros num explícito jogo de sedução. Na época, o executivo acreditava que esta relação era uma forma de aumentar sua autoestima e aliviar o tédio de seu casamento. No entanto, quando o “caso” estava próximo de completar um ano, a jovem resolveu se afastar e, ainda que não tenha decretado um rompimento total, acabou por desencadear uma verdadeira revolução na vida do executivo. Ávido por entender o motivo do desencantamento, aos poucos A.S. foi tomado por crises cada vez mais frequentes de ciúme. Reconquistar o afeto da moça virou uma obsessão. Aos poucos, os jogos de sedução, que até então eram encarados como algo prazeroso, se transformaram em algo sofrido e desestruturante. Além de passar o dia tentando adivinhar e prever os pensamentos da garota, passou a exibir crises de ansiedade alternados com momentos de melancolia. A angústia do executivo chegou a um ponto que teve de se afastar do trabalho por dias, o que alterou substancialmente sua rotina em família e colocou seu casamento em risco.

Para alguns, o caso descrito acima poderia ser enquadrado como o exemplo típico de uma paixão obsessiva. Para muitos terapeutas, no entanto, os sintomas apresentados indicam que A.S. acabara de se deparar com a mais poderosa experiência psíquica que muitos homens sofrem na vida: a crise de meia-idade.

Conhecida pejorativamente como “idade do lobo”, a crise seria mais uma peça no processo descrito pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung como metanoia (palavra grega que significa “mudança”) o que se dá a partir da confrontação do indivíduo com o “envelhecer” e, por conseguinte, com a ideia de ser finito.

 

Como uma maneira de auto afirmação, os homens na chamada "idade do lobo" procuram se relacionar com mulheres mais jovens, ou procurar por ex-namoradas
Como uma maneira de auto afirmação, os homens na chamada "idade do lobo" procuram se relacionar com mulheres mais jovens, ou procurar por ex-namoradas

Na ânsia de conter a angústia dessa fase, alguns homens passam a tomar atitudes que podem causar estranheza para a família como, por exemplo, mudar abruptamente de emprego, despender tempo exageravidado cuidando da aparência ou mesmo realizar algum sonho de consumo de quando tinha 20 anos de idade. Dependendo do olhar que damos ao processo, todas estas buscas podem ter um lado positivo, como explica o analista junguiano José Marcio Luvizotto. “Estas são idealizações motivadas por resquícios de juventude que clamam por atenção. Se pensarmos na ideia de Jung que nosso destino é a completude e se sentimos que algo ficou faltando lá atrás, essa busca pode ser até interessante. O problema é quando você fica fixado e aí reside o grande impasse do desenvolvimento psicológico, a fixação”. Outro sintoma claro da crise de meia-idade, brilhantemente explorado no romance Alta fidelidade, do escritor inglês Nicky Hornby, é a insegurança causada pelo processo e que faz o personagem principal procurar antigas namoradas tentando entender o que deu errado com os antigos relacionamentos e, principalmente, o que há de errado com ele mesmo.

A INTUIÇÃO

Enquanto muitos homens atravessam o período se enquadrando em padrões estereotipados de comportamento, as mulheres, ainda que apresentem inúmeras crises existenciais durante a vida, aparentemente, de maneira geral, não se desestruturam tanto quanto eles ao enfrentar a meia-idade. Para terapeutas, médicos e pesquisadores, a diferença do trato com a situação poderia ser explicada a partir da diversidade do funcionamento cerebral dos dois sexos. A neurocientista Anne Moir, da Universidade de Oxford, no seu livro Brian Sex, concluiu que enquanto o homem busca respostas lógicas para suas questões existenciais, a mulher teria uma capacidade maior de sintetizar e se adaptar às situações, devido a um maior fluxo de comunicação entre os dois hemisférios do cérebro, o esquerdo, mais ligado ao racional e o direito, responsável pelas sensações, pela linguagem não verbal e pela intuição. Recentemente a pesquisadora publicou, ainda, resultados de estudos em que busca comprovar que independentemente do sexo da pessoa, a quantidade de testosterona que vai entrar em contato com o cérebro do feto no útero pode variar, o que explicaria alguns homens desenvolverem uma sensibilidade mais comum ao comportamento feminino.

 
 
” CONHECIDA COMO ‘IDADE DO LOBO’, A CRISE SERIA MAIS UMA PEÇA NO PROCESSO DESCRITO POR JUNG COMO METANOIA ” 

Terapia on-line? Será que funciona? É ético? O site inglês Metanoia oferece um amplo serviço de profissionais terapêuticos para quem precisa de ajuda. E tudo por modo virtual. Contudo, o site também trás artigos que auxiliam na escolha de um bom profissional de Psi. Veja mais no http://www.metanoia.org/
Terapia on-line? Será que funciona? É ético? O site inglês Metanoia oferece um amplo serviço de profissionais terapêuticos para quem precisa de ajuda. E tudo por modo virtual. Contudo, o site também trás artigos que auxiliam na escolha de um bom profissional de Psi. Veja mais no http://www.metanoia.org/

 

Este dado viria ao encontro de uma interessante pesquisa realizada na University of South Austrália em Adelaide. Os pesquisadores australianos identificaram e dividiram um determinado número de homens de meia-idade em dois grupos com padrões de comportamento distintos: os cartesianos e os mais intuitivos. Observados por um período pré-determinado, constataram que apesar do primeiro grupo se revelar mais apto a realizações no que se refere aos negócios, o impacto da crise de meia-idade foi muito mais contundente do que o observado no segundo grupo, composto por homens que davam especial atenção à intuição.

 
Na opinião de Luvizotto, para ambos os sexos existe um sentimento equivalente, relacionado ao desejo da manutenção da eterna juventude. “Porém, o homem pauta sua vida no poder adquirido, o que pode acarretar numa crise mais profunda”. A partir também de sua experiência clínica, a psicóloga Josefina Rovira Prunor concorda que existe uma diferença de como homens e mulheres encaram o processo e ressalta: “enquanto o homem tenta encarar sua crise de meia-idade de maneira mais individual, mesmo sofrendo, a mulher geralmente mantém sua intenção de preservar e cuidar da família.”

O jogo de sedução na crise da meia-idade é muito comum. Para tanto, os homens se tornam mais vaidosos. Em alguns casos, a busca pela beleza se torna uma obsessão
O jogo de sedução na crise da meia-idade é muito comum. Para tanto, os homens se tornam mais vaidosos. Em alguns casos, a busca pela beleza se torna uma obsessão

Estaria, então, a crise masculina ligada a alguma disfunção hormonal, como a experimentada pelas mulheres na menopausa? É sabido que a partir de certa altura da vida, que pode variar dos 30 aos 40 anos, os homens experimentam uma gradual diminuição da produção de testosterona pelo organismo. Apesar dos inúmeros estudos feitos ao redor do mundo – entre eles alguns que apontam a baixa dosagem do hormônio como responsável por sintomas como depressão, nervosismo, disfunção erétil e perda de memória – não há nenhuma comprovação científica conclusiva que ligue a diminuição – desde que seja progressiva – da taxa hormonal diretamente ao doloroso processo experimentado por diversos homens na crise de meia-idade. Para muitos cientistas, ao que parece, o conflito é muito mais de origem filosófica e psíquica.

A Hora H fausto

Fausto – Goethe
O livro, baseado numa lenda alemã, mostra o pacto do protagonista com o demônio Mefistófeles para não envelhecer. Ao se apaixonar pela jovem Margarida, o personagem principal tenta adiar o cumprimento do acordo que previa sua ida para o inferno.

A Hora H lolita

Lolita Vladimir Nabokov
Neste polêmico romance, Nabokov narra a paixão obsessiva de um professor de literatura de meia-idade por uma adolescente. A história foi para as telas do cinema em 1962 em filme homônimo ao livro, dirigido por Stanley Kubrick.

A Hora H Nietzsche

Quando Nietzsche chorou Irvin D. Yalom
O best-seller do psiquiatra e terapeuta existencial norte-americano promove de maneira fictícia o encontro de um dos pioneiros da Psicanálise, o médico austríaco Joseph Breur, com o filósofo Friedrich Nietzsche. Ambos na meiaidade, envolvidos afetivamente com mulheres mais jovens e questionando suas vidas.

A Hora H Hornby

Alta fidelidade Nick Hornby
Aos 35 anos de idade Rob Fleming busca entender racionalmente por que seu último relacionamento fracassou. Procura, então, reencontrar as mulheres por quem foi apaixonado ao longo da vida numa tentativa de construir um parecer sobre sua própria afetividade. Baseada no livro, a versão cinematográfica é muito fiel à obra original de Nick Hornby. No filme, apenas o cenário londrino é trocado por Chicago.

CASTRAÇÃO E ANIMA

Jung, psicólogo e psiquiatra suíço, é um dos maiores nomes da Psicologia analítica. Em seus estudos, ele entendia que nas primeiras fases da vida (infância e adolescência), o homem se adapta à realidade por meio do desenvolvimento da consciência. E, por volta dos 40 anos, pode ocorrer a metanoia, um período de questionamentos, mudanças. Mudanças em que questionamos o sentido da vida para que, segundo Jung, o homem possa, na segunda metade da vida, ter consciência de que a realização pessoal (self) se dará por meio do desenvolvimento interior e não mais do corpo.
Jung, psicólogo e psiquiatra suíço, é um dos maiores nomes da Psicologia analítica. Em seus estudos, ele entendia que nas primeiras fases da vida (infância e adolescência), o homem se adapta à realidade por meio do desenvolvimento da consciência. E, por volta dos 40 anos, pode ocorrer a metanoia, um período de questionamentos, mudanças. Mudanças em que questionamos o sentido da vida para que, segundo Jung, o homem possa, na segunda metade da vida, ter consciência de que a realização pessoal (self) se dará por meio do desenvolvimento interior e não mais do corpo.

O psicanalista Eduardo Albano Moreira compara a crise de meia-idade masculina como um segundo sair de casa, considerando a expressão “sair de casa” como uma metáfora para a ação do homem no mundo. “A primeira saída de casa se dá muito influenciada pelo desejo ou oposição aos pais por volta dos 20 anos, e é uma separação apenas parcial”, opina.

Para o terapeuta, a crise se inicia quando o indivíduo busca um caminho em direção à posição de sujeito, isto é, passando a atuar no universal, deixando o particular da família. “Este processo nada mais é do que a inevitabilidade de se desligar do que é particular e confortável. É a aceitação da falta, entendendo que nenhum objeto passível de investimento vai estar sujeito a um investimento total como você foi pelo seu pai e pela sua mãe. Isto é a castração”.

Para Moreira, o que torna o processo mais doloroso é que o confronto com a crise se dá sem o homem poder utilizar suas ferramentas de ação no mundo, conquistadas até então. “A sensação é a de que quando se descobre as respostas, a vida mudou as perguntas”, sintetiza.

 
O analista ressalta ainda outro aspecto sofrido que muitos homens experimentam durante o processo: a paixão quase sempre obsessiva por uma mulher mais nova. “Esse encantamento, que às vezes desencadeia a crise, é antes de tudo um investimento na não aceitação da falta. Mais que uma paixão, o indivíduo vai buscar uma promessa de acolhimento similar à função materna. O problema é que naquele momento ele se sente desprovido de seu falo simbólico e, portanto, insuficiente e não merecedor daquele amor. A sensação é de total desamparo”, explica.

” ESTRUTURA TRIANGULAR PRESENTE NO COMPLEXO DE ÉDIPO, DESCRITO POR FREUD, TEM UM PAPEL FUNDAMENTAL DURANTE O PROCESSO DA METANOIA ” 

Para Jung, essa paixão avassaladora durante a metanoia é resultado da projeção de anima, o arquétipo que representa a feminilidade inconsciente presente em toda psique masculina. A percepção da anima tende a se intensificar justamente no período que marca a metade da vida do homem, possibilitando, desta forma, integrá-la, resultando na completude do ser, processo este denominado pelo psiquiatra suíço como individuação.

Existem indícios que o próprio Jung tenha experimentado durante sua metanoia uma ardente paixão por Sabina Spielrein, uma de suas pacientes, não por coincidência vários anos mais jovem do que ele.

PROJEÇÃO

Jung descrevia a projeção como um elemento presente ao desenvolvimento psíquico de todas as pessoas. A maneira como ela se dá na metanoia é explicada por Luvizotto: “ao projetar na mulher por quem está apaixonado, o homem busca, na verdade, um contato com seu mundo interior. Posteriormente ela passa a ser uma função de relação e aí não existe mais a necessidade da projeção. Ao reintrojetar, percebe que o que estava atribuindo a ela na verdade era seu”. Para o analista, é só a partir daí que o sujeito vai ter condição de dimensionar o que realmente sente pela pessoa. Luvizotto cita a frase da canção Beijo partido, gravada por Milton Nascimento, para ilustrar o processo: “onde estará a rainha que a lucidez escondeu?”

Segundo cientistas, as mulheres enfrentam com mais facilidade suas crises, como a menopausa. Seria por um maior fluxo de comunicação entre os dois hemisférios do cérebro, enaltecendo a intuição na mulher
Segundo cientistas, as mulheres enfrentam com mais facilidade suas crises, como a menopausa. Seria por um maior fluxo de comunicação entre os dois hemisférios do cérebro, enaltecendo a intuição na mulher

A opinião é corroborada pelo médico e psicoterapeuta Eduardo Peixoto. “Essa paixão nada mais é do que estender para o outro o feminino que floresce dentro de si. Existe uma ilusão de que é possível lidar com esta porção feminina externamente.”

A já falecida psiquiatra Nise da Silveira, aluna de Jung e um dos nomes mais importantes da Psicologia analítica no Brasil, ao escrever sobre o tema no livro Jung – vida e obra ressaltou o desamparo sofrido pelo indivíduo ao confrontar sua anima, “o homem esperará que a mulher amada assuma o papel de mãe, o que leva a modos de comportamento e a exigências pueris gravemente perturbadoras das relações entre os dois”. Não é raro a situação tomar contornos mais dramáticos e confusos, como opina Peixoto, “principalmente se a mulher em questão está buscando no homem mais velho a figura de um pai”.

É comum constatar que durante a metanoia muitos homens que se acreditavam donos de grande autoconfiança em relação aos jogos de sedução se desestruturam a ponto de terem avassaladoras crises de ciúmes motivadas pela ansiedade instaurada. O psicanalista argentino J. D. Nazio, em uma de suas mais interessantes obras, O livro da dor e do amor, descreve assim o que seria o momento mais agudo da dor da paixão: “veremos a dor aparecer como um afeto não tanto provocado pela perda do ser amado, mas, sim, pela autopercepção que o eu tem do tumulto interno desencadeado por essa perda.”

Para Moreira, a estrutura triangular presente no complexo de Édipo, descrito por Freud, tem um papel fundamental durante o processo: “o triângulo acontece quando existe um desinvestimento por parte do objeto em você. No início da relação, você está num ego ideal, sente-se fálico e poderoso, daí se apaixona e depois triangula e, às vezes, não só com a pessoa, mas com o mundo dessa mulher mais jovem. Provavelmente, vai sentir muito ciúme”. O analista ressalta o quão desgastante pode se tornar a crise, tanto no aspecto físico quanto mental: “às vezes, estamos lidando com o limite do funcional. Devido à enorme ansiedade despertada pelo processo, o ramo simpático fica ligado o tempo todo, o metabolismo vai a mil. É comum o sujeito sentir-se exaurido.”

CORPO DESEJANTE

 

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Está em cartaz a peça O homem da tarja preta, de Contardo Calligaris, com direção de Bete Coelho, no teatro Eva Herz, em São Paulo, até o dia 31 de julho. O monólogo mostra os conflitos sexuais do homem moderno. No Café Filosófico, promovido pela CPFL Cultura, o psicanalista revela as crises que assombram os homens contemporâneos e que recheiam o espetáculo. Com muito humor, ele explica que antigamente a única parte erótica do homem era seu pênis. Não havia o uso Está em cartaz a peça O homem da tarja preta, de Contardo Calligaris, com direção de Bete Coelho, no teatro Eva Herz, em São Paulo, até o dia 31 de julho. O monólogo mostra os conflitos sexuais do homem moderno. No Café Filosófico, promovido pela CPFL Cultura, o psicanalista revela as crises que assombram os homens contemporâneos e que recheiam o espetáculo. Com muito humor, ele explica que antigamente a única parte erótica do homem era seu pênis. Não havia o uso

 

Ficha técnica
O homem da tarja preta
Teatro Eva Herz; Livraria
Cultura – Conjunto Nacional
Avenida Paulista, 2073 – Fone: (11) 3170-4059.
Duração: 60 minutos
Recomendação: 16 anos
ENCONTRANDO A SAÍDA

Uma das causas dos conflitos que acometem muitos homens no período da metanoia pode ser a falta de preparo ao longo da existência para o encontro consigo mesmo na segunda metade da vida
Uma das causas dos conflitos que acometem muitos homens no período da metanoia pode ser a falta de preparo ao longo da existência para o encontro consigo mesmo na segunda metade da vida

Mas todos os homens estariam fadados a enfrentar a crise de maneira turbulenta? “Acredito que alguns não apresentam os sintomas, mas internamente este rearranjo é inevitável”, opina Peixoto.

Já Luvizotto acredita que os grandes conflitos que acometem muitos homens no período são causados pela falta de preparo ao longo da existência para o encontro consigo mesmo na segunda metade da vida, ressaltando que cada caso deve ser analisado de maneira particular. O analista junguiano faz uso de uma analogia para explicar seu ponto de vista; “podemos imaginar a primeira etapa como se estivéssemos subindo uma montanha e, a segunda, como se a estivéssemos descendo. Alguns subiram de costas, fixados em algo, e com a tendência de descer se agarrando e resistindo ao processo. Há alguns, porém, que vão se agarrar de tal maneira que nunca descerão. Estes são os indivíduos que têm o desejo de nunca se tornar adultos”. (veja boxe Recusando responsabilidades)

 

” JUNG USAVA O TERMO ‘SACRIFÍCIO’ PARA DESIGNAR A RENÚNCIA DE UMA ATITUDE PSICOLÓGICA EM PROL DE OUTRA ”

 

A autoconfiança dos homens que passam por essas crises é muito frágil. Por isso, ansiedade, angústia e insegurança, inerentes a essa fase de metanoia, desencadeiam sérias crises de ciúme
A autoconfiança dos homens que passam por essas crises é muito frágil. Por isso, ansiedade, angústia e insegurança, inerentes a essa fase de metanoia, desencadeiam sérias crises de ciúme

Já na visão do psicanalista Eduardo Moreira, alguns homens não passam pelo processo, da mesma forma que existem muitas crianças que não vão para a função de sujeito. “O sujeito é aquele que não precisa mais ser interpretado. Ele interpreta. Conheço homens com 60 anos que continuam no ideal do pai ou da mãe”. Para o terapeuta, o desenvolvimento do homem se dá no plano simbólico e, como tal, não há garantia do que vai acontecer. “A metanoia ativa a pulsão de morte e você inicia o processo tentando não vivê-lo. Essa paixão que descrevemos como a que geralmente desencadeia a crise é, antes de tudo, um investimento na não aceitação da falta”.

Todos os entrevistados para esta matéria foram unânimes em afirmar que a crise, seja ela aguda ou não, requer uma mudança estrutural e de significados na própria vida, o que pode levar o indivíduo a lidar com seus processos psíquicos de uma maneira muito mais sábia.

“Não podemos tratar o processo como neurose, mas como uma voz da essência. É preciso alinhar o sujeito com ele mesmo para que consiga ir à direção que necessita na vida, trabalhando a perda, o desligamento do imaginário familiar do qual ele está se divorciando”, opina Moreira. O psicanalista aponta ainda um ponto crucial na terapia dos indivíduos que enfrentam a crise: “eu diria que a ‘metástase’ da metanoia é a volta ao passado. É fundamental se trabalhar a libertação da pessoa em relação ao passado. Podemos comparar essa crise como uma febre que não se deve diminuir. É óbvio que não podemos deixar a febre matar o paciente, porém, é ela que vai tornar o ambiente inóspito ao vírus, que, no caso, é justamente o passado.”

Carl Gustav Jung usava o termo “sacrifício” para designar a renúncia de uma atitude psicológica em prol de outra com um significado mais profundo e abrangente. O processo, por vezes muito sofrido, imposto pela metanoia daria, segundo a visão do médico suíço, frutos que levariam o homem rumo à sua completude. “A metanoia pode desencadear uma crise muito benéfica. É possível se passar pelo processo de uma maneira mais criativa, possibilitando, assim, a passagem para a segunda metade da vida com uma bagagem muito positiva”, ressalta Luvizotto.

Também na visão de Moreira, a superação da crise reserva ao indivíduo uma sensação de conquista. “É comum, após a crise passar, sentir-se muito mais alinhado com você mesmo. Por mais sofrida que seja, essa crise pode levá-lo ao lugar em que você deveria estar. É um processo necessário e eu diria que passar por ele é um privilégio.”

 

A Hora H Beleza Americana

Beleza americana – 1999
Em crise existencial, um reprimido cidadão de classe média passa a questionar os valores da sociedade e sua própria vida. Abandona o emprego e deseja se envolver com a amiga da filha.

 

A Hora H Gatao

O gatão da meia-idade – 2006
Baseado no personagem do cartunista Miguel Paiva, o longa mostra de maneira bem-humorada os conflitos e contradições de um solteirão com 40 anos.

 

A Hora H Jornada da Alma

Jornada da alma – 2003
O filme descreve todas as etapas da avassaladora paixão do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung por sua jovem paciente, Sabina Spielrein.

 

A Hora H Alguem tem que ceder

Alguém tem que ceder – 2003
Esta comédia narra as aventuras do milionário cinquentão Harry Sanborn que gosta de se envolver com mulheres mais novas. Porém, após um ataque do coração se apaixona pela mãe de uma de suas namoradas, fato que o obriga a amadurecer afetivamente.

 

RECUSANDO RESPONSABILIDADES

A Hora H Peter Pan

Dan Kiley, em 1983, lançou o livro falando sobre A Síndrome de Peter Pan, que traria um novo conceito psicológico, embora não esteja no Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, principal referência de diagnóstico para os profissionais de saúde mental.

Licenciado em Filosofia e Psicologia, Dr. Kiley doutorou-se na Universidade de Illinois e começou a trabalhar no tratamento de delinquentes juvenis. Teve a ideia para a síndrome quando percebeu que, como o famoso personagem do James M. Barrie fazia, muitos adolescentes tinham problemas ao crescer e aceitar as responsabilidades adultas. Porém, depois que aplicou a síndrome no livro, notou que também muitos adultos ainda recusavam responsabilidades,por isso incluiu o subtítulo “Men Who Have Never Grown Up” (Tradução livre: homens que nunca cresceram). A síndromefoi caracterizada por comportamentos imaturos como rebeldia, cólera, narcisismo, dependência, negação ao envelhecimento, entre outros.

Fonte: http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/42/artigo144015-1.asp

Novas formas de vida em um porão perto de você

Com apenas um kit de química ultrapassado, engenheiros genéticos amadores, os biohackers, constroem laboratórios caseiros para criar novos organismos 
  biohackers
 

Segundo o Wall Street Journal de 12 de maio os objetivos dos que praticam a engenharia por hobby são tão diversos quanto o trabalho que realizam regularmente: um engenheiro de software que tenta criar um teste barato para substâncias tóxicas, e um universitário que pretende destruir bactérias nocivas ao corpo.

“As barreiras que dificultam essas práticas são muito baixas”, explica Meredith Patterson uma biohacker, que com um limpador de jóias ultra-sônico de US$ 40 e alguns genes de proteína verde fluorescente, conseguiu fazer brilhar bactérias de iogurte.

Patterson pretende criar bactérias que brilhem na presença de melamina, produto tóxico detectado em alguns alimentos para crianças. “Não havia laboratórios trabalhando nisso”, comenta à New Scientist, “então, vamos fazê-lo”.

Ela trabalha na cozinha de sua casa, enquanto dezenas de outros biohackers estão maquinando novos inventos no quarto, no porão, na garagem ou até em armazéns alugados para isso.

E quem garante que os aventureiros do DNA estão se comportando? Normalmente, ninguém está preocupado. Mas uma agência governamental americana não identificada, supostamente em busca de informações, entrou em contato com uma biohacker envolvida no caso Wall Street Journal, questionando seu trabalho.

Críticos acreditam que, se os biohackers não forem monitorados ou fiscalizados de alguma forma, novas preocupações surgirão. O aparecimento de novos vírus (como o H1N1, da gripe suína) e as possibilidades de bioterrorismo são vistos como perigos reais.

A concessão de licença é uma opção. Alguns praticantes estão tentando criar seu próprio manual de segurança, informa a New Scientist. Muitos biohackers se uniram para trocar idéias e experimentos em blogs criado por Mackenzie Cowell.

“A biologia é cada vez mais tecnologia e menos ciência”, revelou Cowell à New Scientist. Ele compara os biohackers da atualidade aos primeiros manipuladores de computador da década de 70 e considera a possibilidade de essa onda de aficionados criar novos interesses e idéias num campo que tem sido, tradicionalmente, seara de pessoas que trabalham em laboratórios grandes e bem conceituados.
Fonte: http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/novas_formas_de_vida_em_um_porao_perto_de_voce.html

Por que o chulé aparece?

Denominado bromidrose, o popular chulé é um suor com odor desagradável e acontece por um conjunto de fatores. O suor é formado por água e sais minerais e não tem cheiro, portanto, o que causará o odor será a colonização de bactérias nos pés, provocada pelo uso de sapatos fechados que impedem a ventilação. Estresse, higiene inadequada e alterações hormonais podem acentuar o problema. A melhor maneira de prevenir é lavar bem entre os dedos dos pés, calçar sandálias ou sapatos com meias de algodão e até mesmo usar desodorantes antitranspirantes. Talcos ou sabonetes antissépticos devem ser indicados pelo dermatologista.

Quem responde: Márcia Grieco, dermatologista do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos.
Fonte: http://revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/75/os-seus-porques-142227-1.asp

É verdade que uma maçã por dia nos afasta das doenças?

maca

Não se deve substituir refeições inteiras pela fruta, pois a maçã não possui todos os nutrientes necessários para o bom funcionamento do organismo. Porém ela é nutricionalmente quase completa. Contém carboidratos complexos, fibras (pectina), vitaminas, minerais, antioxidantes (compostos fenólicos) e baixas calorias. Assim, com essa riqueza de nutrientes, associado ao baixo índice glicêmico, é comprovado que a maçã reduz o risco de doenças cardiovasculares.

Quem responde: Durval Ribas Filho, médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).
Fonte: http://revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/75/os-seus-porques-142227-1.asp

Como uma pessoa desenvolve miopia?

A maioria das crianças nasce hipermetrope, ou seja, não enxerga bem nem de perto nem de longe. Com o passar dos anos, o olho, que tem o diâmetro de 17 milímetros, começa a desenvolver a córnea, o cristalino e o diâmetro anteroposterior até chegar aos 24 milímetros. Porém todo esse processo deve ser harmonioso, pois quando os elementos estão desalinhados podem causar uma miopia simples, resultado de um desajuste de poucos milímetros no diâmetro ocular que provoca uma alteração de 2 ou 3 graus na vista; ou a miopia patológica, que é a deslocação acima de 6 graus.

Quem responde: Aderbal de Albuquerque Alves, oftalmologista e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO).

 

Fonte: http://revistavivasaude.uol.com.br/saude-nutricao/75/os-seus-porques-142227-1.asp

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