Nine pode ser ótimo sem ser original

“Dirigir um filme é um trabalho muito superestimado, nós todos sabemos disso. Você só tem que dizer ´sim` ou ´não`”, diz a personagem de Judi Dench logo no início de Nine, “´sim` e ´não`: Isso é dirigir”.

A história do diretor de cinema que não consegue entregar ao público nada original poderia ser uma grande analogia para Hollywood ou mesmo para o diretor Rob Marshall (Chicago), já que Nine realmente não traz nada novo para a platéia. Mas, e daí?

A adaptação do musical da Broadway de mesmo nome não surpreende com a construção do roteiro, uma boa história ou mesmo músicas que intrigam pela sua originalidade: O filme é um ótimo espetáculo que entretem facilmente com uma fotografia magnífica, atuações primorosas e canções que, ainda não surpreendentes, são divertidas.

Nine estreou nos teatros de Nova York em 1982 e suas montagens ganharam vários prêmios Tony ao longo dos anos. No filme, o papel do protagonista, que já foi de Raul Julia e Antonio Banderas no teatro, ficou com Daniel Day-Lewis (indicado ao Globo de Ouro). Guido é o tal falido diretor que, na Roma dos anos 1960, revisita seu passado, seja em relações freudianas com sua mãe (vivida pela musa do cinema italiano Sophia Loren) e com a prostituta que se exibia para as crianças Saraghina (A cantora Fergie, dos The Black Eyed Peas), ou ainda refletindo sobre as mulheres presentes na sua vida. E é aí que o grande atrativo do filme se revela.

Assim como as atrizes da época de ouro do cinema italiano, o elenco feminino brilha a cada cena sob a fotografia do premiado australiano Dion Beebe (Oscar por Memórias de Uma Gueixa): Marion Cotillard encarna com maestria a esposa que vê seu casamento em pedaços, enquanto Penélope Cruz rouba a atenção de Guido e da platéia como a descontrolada Carla; Kate Hudson nos seduz com a favorita ao Oscar Cinema Italiano e Nicole Kidman, mesmo com pouco tempo em cena, deixa claro porquê foi escalada no papel de musa do diretor.

Cada número musical é uma festa para os olhos, mas um ou outro se perde na direção de Marshall, já que nem sempre consegue mesclar o formato teatral com o formato cinematográfico – feito que o consagrou em Chicago.

E por mais difícil que seja afirmar que o longa traz a Broadway para às telonas, é correto definir o principal motivo de ir ao cinema para assistí-lo: Nine é diversão garantida.

Fonte: http://clickcultural.virgula.uol.com.br/pop/nota-nine_pode_ser_otimo_sem_ser_original-11007.html

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