Livro é mais que um objeto, é uma experiência

Para o presidente da Feira do Livro de Frankfurt, Juergen Boos, o momento é de investir e apostar em outras maneiras de se relacionar com o cliente
Thiago Corrêa

 

São Paulo – O 1º Congresso Internacional do Livro Digital, que começou na noite de segunda-feira na capital paulista, é um bom termômetro do período de turbulência vivido pelo mercado editorial frente ao desafio de avançar no terreno do mundo virtual. Pelo menos no primeiro dia de evento, o que se viu foi um misto de preocupação e interesse por parte dos livreiros e editores, resultando no dobro do número de inscritos em relação ao 35º Encontro Nacional de Editores e Livreiros. O dado deixa a impressão de que o caminho rumo ao digital é mesmo sem volta, embora pareça que ainda não há respostas sobre por onde seguir.


Jurgen Boss, em sua palestra no 1º Congresso Internacional do Livro Digital, destacou o imenso mercado a explorar Foto: Congresso Internacional do Livro Digital/Divulgação

Apesar desse desequilíbrio entre a convicção das dúvidas e a fugacidade das respostas, o discurso adotado pelo presidente da Feira do Livro de Frankfurt, Juergen Boos, é bastante otimista. “Estamos no início de uma nova era de ouro para a indústria editorial. Embora a concorrência seja maior, o número de leitores também aumentou, a distribuição agora nãoé mais uma barreira”, disse Boos, primeiro palestrante do evento. Para ele, o momento é de investir, testar novas formas de divulgação, apostar em outras maneiras de se relacionar com o cliente e experimentar os vários tipos de formato para chegar até o leitor.

“O livro não é mais um objeto, mas uma experiência. A edição do livro não é mais um setor isolado, agora estamos dentro do negócio do conteúdo. O livro se torna uma ideia que pode se estender na criação de filmes e jogos”, apontou Boos. Em sua participação, segunda-feira à noite, ele apresentou uma série de estatísticas da web para mostrar como é imenso o mercado a ser explorado, citou experiências de marketing viral e o caso de revistas especializadas em medicina da Alemanha, que há 15 anos começaram a investir na internet e passaram ser publicadas exclusivamente no meio digital.

“Hoje essas empresas estão mais rentáveis. Você tem que ser ousado, mesmo que não possa investir muito dinheiro. Hoje, a maioria das ferramentas que precisamos são gratuitas”, explicou Boos, referindo-se a redes sociais como o Twitter, o Facebook e instrumentos como o Google Analytics, para o levantamento de dados sobre o comportamento dos leitores. Segundo ele, através dessas ferramentas, os livreiros podem conhecer melhor seus clientes, aperfeiçoar a maneira de se aproximar e oferecer produtos que se encaixem no perfil deles. “Tudo se resume à atenção, chamar atenção se tornou moeda hoje porque temos muitas opções. As pessoas agora não decidem mais que livros vão ler, mas se vão ler livro ou não. O que vai nos distinguir é a seleção do conteúdo que vamos fazer”, completou o presidente da Feira de Frankfurt.

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