Mármores

[Num castelo de mármores caros
jaz seu corpo de ângulos raros.]

Desliza
faca no cremoso fruto,
lábios frêmitos!
Entre purpúreos lençóis
boca quente,
ósculo ardente,
ventre de romã.

Toda lógica se turva
quando a  mão espalma
em sinuosas curvas,
alma confusa,
confusa alma!,
que tão leve me usas
que desejo me leves
em teu corpo de neve.

Pisa o chão frio,
ó delicado pé níveo!
Teu tremer convulso
é meu próprio arrepio

no imaculado leito,
estrela refulgente
de dez mil lustres,
balaústre eleito.

Razão única de minha ida,
que essa tua voz sutil
carregue meu corpo febril
e guia minha partida,

e quando virem teus breus,
abraça-me fundo e forte;
craves teus lábios nos meus

cortando meu fio da sorte
e encerres minha voz rouca
em teu frio beijo que apouca.

(Eduardo Magalhães .’.)

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