Uma sinuca de tacadas submersas

Pensar o luto como uma sinuca sendo jogada debaixo d’água é uma visão um tanto inusitada, porém, de uma simbologia verdadeira. Essa visão nos mostra uma realidade ainda não pensada, porque sob a água as figuras mudam de forma, tudo fica mais lento e pesado. E no processo de luto tudo caminha nessa direção, o mundo mudando de ritmo, se tornando lento, difuso, de uma atmosfera pesada e confusa, onde nada faz sentido.

Sinuca Embaixo D’Água, o romance de estréia de uma das maiores personalidades da nova literatura brasileira, estamos falando de Carol Bensimon. No seu novo livro Carol trata do luto de forma excelente e madura. Nos capítulos nós temos acesso ao processo de luto através dos próprios personagens, ou seja, de como se acarreta o processo psicológico de aceitação da perda de um ente querido. 

No site da própria Carol lemos uma sinopse do livro, a qual é transcrito abaixo:

Sinuca embaixo d’água é uma história construída em torno de uma ausência. Sete personagens narram um momento de luto, depois que Antônia, uma garota na casa dos vinte anos, morreu num acidente de automóvel. Boa parte dos episódios transcorre no bar do Polaco. Às margens de um lago, os fundos do bar abrigam um salão de sinuca.

O local é frequentado por Camilo, irmão rebelde de Antônia, que tinha uma relação especial com a irmã: entre a adoração e o instinto protetor. Sua principal ocupação é montar e desmontar carros antigos.

O tímido e doce Bernardo era colega de faculdade de Antônia, com quem ela mantinha um romance platônico. É ele quem vai esboçar uma investigação sobre o acidente: estaria ela embriagada, transtornada por uma briga passional, fugindo, sendo seguida?

Bernardo e Camilo não são os únicos a se ocupar dessa ausência. Polaco, a jornalista Helena, o publicitário Gustavo, o vizinho Lucas e o forasteiro Santiago estão todos ligados, entre si e a Antônia, graças a esse acontecimento trágico, que instaura outro tempo, feito de memória, dificuldade de expressão e necessidade de um novo aprendizado.

Com isso vemos uma história se desenrolar de forma estruturada, com doses de referências da música e da literatura um tanto clássica.

É um romance que ao chegar ao final nos vemos refletindo sobre várias questões da nossa existência humana, como por exemplo, o que é vivenciar a perda de uma pessoa amada? A resposta para essa pergunta viria sempre com a necessidade de vivenciar essa experiência. E no Sinuca, essa vivencia é transmitida por Carol Bensimon com uma capacidade incrível, ao passar das páginas vamos vivenciando cada pensamento e sentimento dos personagens que precisam aceitar a perda da jovem Antônia.

Vamos vivendo a memória de Antônia através de outras pessoas que possuem alguma ligação entre si e com a Memória, é uma vivencia, como diz Carol, da “necessidade de um novo aprendizado”.

E por fim como dizia o psicanalista John Bowlby, a perda de uma pessoa amada é um dos maiores golpes que podem ser infligidos contra o espírito humano.

O romance “Sinuca embaixo d’água” é dica de uma boa literatura para ser lida.

Carol Bensimon é escritora. Ela nasceu na cidade de Porto Alegre-RS, em 1982. A fase pré-escritora começou com seu antigo blog Kevin Arnold Para Dois (www.insanus.org/carolbensimon) onde narrava episódios de sua vida. Depois disso, publicou alguns contos em jornais e revistas, como Zero Hora, revista Ficções e Bravo!. Teve sua estreia literária em 2008 com o livro de contos Pó de parede (Não Editora, 2008). Seu primeiro romance nasceu de sua dissertação de Mestrado em Literatura e nesse meio tempo inaugura o blog “sinuca embaixo d’água” que funcionava como um making-off do romance onde ela contava o processo de criação do livro, Sinuca embaixo d’água, é o resultado do mestrado e seu primeiro romance, além disso, o romance ganhou a Bolsa Funarte de Estímulo à Criação Literária, e foi lançado em setembro de 2009 pela Companhia das Letras. Colabora, frequentemente, com alguns veículos de comunicação como a revista Bravo!, revista Vida Simples, revista Poder e outras. Carol Bensimon é Mestra em Teoria Literária pela PUC – RS, e está em Paris fazendo doutorado em Literatura Comparada na Sorbonne Nouvelle. Ao viajar para Paris com intuito de dar inicio aos estudos do doutorado em Literatura Comparada começa escrever no blog Paris 75004 (http://www.clicrbs.com.br/paris75004), onde narra suas aventuras cotidianas em Paris. Além disso, você também pode encontrar Carol Bensimon no seu site (www.carolbensimon.com) onde pode encontrar informações e resenhas sobre seus livros e sua carreira literária.

Cleison Guimarães é aluno da graduação em Psicologia do Centro Universitário do Norte – UNINORTE. Além de estudante é escritor, colunista, blogueiro e twitteiro. Siga-o no Twitter – twitter.com/cleisonguiraes.

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