Consequências do estresse durante a gravidez

por Tamara Souza*

Muito se fala sobre o fato de que, durante a gravidez, os sentimentos e emoções da mãe afetam o bebê. Por isso resolvi abordar esse tema que me parece de extrema importância, de forma a esclarecer de que forma isso realmente acontece.

Uma pessoa estressada tem um aumento na produção dos hormônios conhecidos como os “hormônios do estresse”, entre eles o cortisol e a norepinefrina. Na mulher grávida isso também acontece  só que suas consequências podem ser mais sérias porque produzem alterações duradouras tanto na mãe quanto na criança. No feto, se esses hormônios forem liberados de forma excessiva, pode acontecer a destruição de neurônios e sinapses, o que altera a fisiologia cerebral e prejudica a futura capacidade do bebê em lidar com o estresse. Além disso, quando a mãe libera esses hormônios, os vasos sanguíneos da região abdominal se contraem e isso prejudica o crescimento do bebê.

Outra consequência é que esses hormônios vão, através da corrente sanguinea da mãe, até a placenta e atingem o cérebro do feto. A contínua exposição do bebê a esses hormônios produz nele uma resposta de medo, de forma que ele fica preparado a reagir  em todas as ocasiões, mesmo quando isso não é necessário

É importante salientar que o estresse nem sempre é negativo. Quando se manifesta em períodos curtos de tempo, ele pode assumir uma função protetora, pois serve às funções adaptativas e de sobrevivência. No entanto, quando se mantém por longos períodos, se torna crônico e pode, inclusive, acelerar os processos de algumas doenças.

Pesquisas com ratos demonstram que mesmo que sejam criados por mães “saudáveis”, os filhotes de mães ansiosas apresentam comportamento estressado, o que comprova que essas alterações que acontecem quando o feto ainda está no útero são realmente duradouras. Em humanos observou-se que mães que sofrem de depressão ou estresse durante a gravidez, podem ter filhos que apresentam algumas das seguintes características: hiperatividade, taquicardia, problemas intestinais, altos níveis de irritabilidade, dificuldade de manter interações sociais, dificuldades para dormir, etc. Outro risco associado ao estresse da mãe durante a gestação é o parto prematuro.

Como pode-se ver, uma gravidez tranquila é essencial para o bom desenvolvimento do bebê. Ao contrário do que se pensava antigamente, o feto não é um ser passivo que só começa a vida depois do nascimento. Por isso, o apoio da família, principalmente do pai (quando possível) é muito importante tanto para a mãe quando para o bebê.

Tamara Santos de Souza é aluna do terceiro período de Psicologia da UFAM e membro do Grupo de Pesquisa e Estudos Clínicos-sociais da mesma Universidade, grupo esse certificado pelo Cnpq. Está envolvida no projeto “O papel dos diferentes atores sociais na prática do Bullying” e gosta de escrever sobre assuntos diversos referentes à Psicologia. Para falar com a autora escreva para tamarasouza88@gmail.com. Tamara também tem um blog, onde publica seus textos e expõe suas ideias: http://psicologiaereflexao.wordpress.com

Fonte: Revista Mente e Cérebro, edição especial “A mente do bebê”, nº 2 (Constituição psíquica e universo simbólico).

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2 comentários em “Consequências do estresse durante a gravidez

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  1. ESTOU GRAVIDA DE 5MESES E ANDO SEMPRE STRESSADA POT CAUSA DO MEU MARIDO.TODAS AS SEMANAS TEM UM MOTIVO P EU FICAR STRESSADA ISSO PODE AFECTAR AO MEU BEBE OU O PARTO PODE SER COMPLICADO?

    1. Afeta seu bebê na condição dele “sentir” tudo, ou seja, ele poderá ser um bebê ansioso. Procure relaxar nesse momento que é único. Não se prenda aos momentos dificeis da gravidez, pois tem momentos prazerosos como por exemplo, quando ele se mexe… Saiba que uma gravidez tranquila, certamente trará equilibrio para essa criança e vc terá menos dificuldades em cuidar dela. “Converse” com seu marido. Conversar é dialogar. Ambos tem que falar… é um momento dos DOIS. A paternidade é uma coisa maravilhosa, desde que vivida com seriedade e responsabilidade. O pai deve participar desse momento. Seja sincera sem fazer drama. Diga o que te incomoda e tentem entrar num acordo, afinal, o bebê é vítima… ele não tem culpa de nada do que está acontecendo com o casal… pense nisto! O bebê não tem como se defender… Busque fazer terapia… quem sabe uma terapia breve (para o casal), se possível faça hidroginástica para gestantes… isso é útil inclusive na hora do parto. Boa sorte! Felicidades!

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