Saiba como é uma roda de terapia comunitária

Carla Prates
Do UOL Ciência e Saúde

Um senhor, meio sem jeito, que nunca havia participado resolve falar: “Estou com um problema de relacionamento em casa. Moro com meu filho, minha nora e a netinha. Queria que eles tivessem mais consideração comigo”, desabafa o senhor, meio sem jeito, em uma roda de terapia comunitária de um parque da cidade de São Paulo.

Confortado por uma das terapeutas, ele toma coragem e continua: “se eu não falo com meu filho, ele não fala comigo. Se eu conversar ele responde, mas não para me satisfazer”. Alguém diz que a situação faz lembrar a do pai que já morreu: “às vezes, queria conversar com ele, mas tinha alguma barreira, não conseguia tirar esse bloqueio”.

O problema do senhor é eleito para ser compartilhado por todos na roda. E logo vem a pergunta: “o seu filho sabe que o senhor se sente assim? Não. E o que poderia acontecer se vocês conversassem sobre isso?” Ele muda de assunto, relata que sente muita insônia, vive sozinho e tenta se distrair.

E a nova questão, agora para o grupo todo compartilhar suas experiências de vida: “Quem já teve dificuldade para expressar o que sente para outra pessoa que gosta e como fez para resolver? Surge um leque de respostas: “Já tive e guardei para mim mesma, fiquei sentida, mas não falo porque sei que é assim, as pessoas não ouvem”; “eu já falo das minhas necessidades, procuro sempre encontrar um amigo ou companheiro que me ouça porque isso resolve, eu que não deixo minha pressão subir”; “eu também tento comunicar a outra pessoa o que sinto de maneira respeitosa, não cobrando o outro porque daí ele pode ficar na defensiva”…

O senhor ouve os depoimentos, atento. Antes do término, cada um relata o que aprendeu naquele dia: “que somos todos semelhantes e temos sempre algo a compartilhar”; “que nunca sabemos tudo da vida, mas sabemos um pouco de tudo e podemos fazer diferente”. O senhor, agora um pouco mais à vontade, agradece: “queria dizer obrigado a todos vocês”.

E por aí a roda seguiu até o fim, com alguém puxando a música: “viver e não ter a vergonha de ser feliz, cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz…”. O senhor sorriu enfim e se uniu ao coro das vozes.

Fonte: Uol

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: