Terapia comunitária diminui encaminhamento para serviços de saúde

Carla Prates
Especial para o UOL Ciência e Saúde

Em 23 anos de terapia comunitária, a técnica cresceu por todo o Brasil e, desde 2008, está no sistema público de saúde. Agora, em 2010, é oficializada como política pública federal.

Em 2008, já havia mais de mil terapeutas capacitados e cerca de 70 mil pessoas atendidas na rede pública. E os números só aumentam. Apenas de fevereiro a agosto de 2010, a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo realizou mais de 2 mil rodas de terapia comunitária com cerca de 25 mil participantes.

De acordo com o relato de Adalberto Barreto, criador da metodologia, a experiência chegou aos órgãos públicos após o Ministro da Saúde José Gomes Temporão ficar sabendo de uma pesquisa feita pela Universidade Federal do Ceará (UFC), pela Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) e pelo Movimento Integrado de Saúde Mental Comunitária do Ceará (MISMEC-CE).

O estudo revelou que, de 12 mil pessoas que frequentavam as rodas de terapia comunitária entre 2005 e 2006 em todo o Brasil, apenas 11,5% precisaram ser encaminhadas para o serviço de atenção a saúde. Mais de 80% dos problemas apresentados nas rodas foram resolvidos ali mesmo.

A terapia comunitária funciona, portanto, como uma espécie de triagem dos casos que realmente precisam ser encaminhados para os serviços públicos de atenção básica. Atua como uma prática de prevenção e promoção à saúde.

Dentro e fora do sistema público, a prática já conta com 40 polos de formação e mais de 20 mil terapeutas formados, de acordo com Barreto.

Remédio, não

Especialistas concordam que havia uma brecha no sistema de atenção a saúde mental, que não oferecia tratamento ao sofrimento. Portanto, a terapia comunitária veio preencher essa lacuna.

“Há muita medicalização para a dor do sofrimento humano, daí se perde o sentido da dor, do luto, nem sempre é preciso tomar remédio”, pondera Maria Auxiliadora Camargo Cusinato, assessora técnica de saúde mental da Coordenação da Atenção Básica da Secretaria Municipal de Saúde.

A assessora relata que muitas mulheres vão aos postos de saúde pedir para tomar Diazepam, mas o que elas precisam mesmo é de escuta, atenção, pois vivem sozinhas ou sofreram perdas. E Adalberto completa: “o que uma mulher que sofre com o filho envolvido com droga precisa? De remédio ou ser ouvida?”.

Fonte: Uol

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