Cérebro sabota promessas de Ano-Novo

GUILHERME GENESTRETI

Economizar dinheiro, largar o cigarro, emagrecer. A primeira semana do ano ainda nem acabou e muita gente pode estar se perguntando por que é tão difícil manter as promessas feitas na virada.

A resolução da cabeleireira Cristiane de Oliveira, 32, de São Paulo, foi emagrecer 15 kg o mais rápido possível, cortando doces e gordura.

Não durou. A primeira sobremesa do ano foi pavê de chocolate; no jantar, mais pavê e panetone. “Sempre digo “amanhã eu começo”, mas esse dia nunca vem.”

A culpa é da dopamina, dizem os especialistas. O neurotransmissor, relacionado à sensação de bem-estar no cérebro, é liberado sempre que a pessoa faz compras, fuma ou come guloseimas.

Isso atrapalha os planos de longo prazo, aqueles cuja recompensa virá só depois de sacrifícios, como dieta ou alguns meses na academia.

“Quando comemos muito chocolate há uma sensação de prazer intenso e imediato”, explica o neurologista Paulo Caramelli.

Já numa dieta, a situação muda: “O prazer vai se manifestar de forma diluída e só depois de algum tempo.”

O historiador Marcos Florence, 35, queria parar de fumar assim que começasse o ano. A promessa durou seis horas. “Amanheceu e eu já estava com cigarro na mão.”

Agora, em vez dos 20 cigarros por dia, Marcos reduziu para 15. “Tem que ser homeopático, radical não dá.”

EXCESSO DE CONFIANÇA

Em um experimento da Universidade Northwestern, EUA, o psicólogo Loran Nordgren pediu que 53 fumantes assistissem ao filme “Sobre Café e Cigarros” (2003) em uma de quatro situações: com o maço em outra sala, com o maço numa mesa próxima, com o cigarro na mão ou apagado na boca.

Quem acreditava ser mais capaz de resistir à tentação de fumar acabou escolhendo a terceira opção (cigarro na mão). Mas um terço deles falhou e cedeu ao impulso.

Entre aqueles que escolheram assistir ao filme com o maço na mesa, só 11% caíram na tentação de fumar.

“As pessoas têm essa crença de que conseguem se controlar mais do que realmente podem”, afirma Nordgren.

“Faz parte da nossa natureza acreditar que venceremos todos os obstáculos”, diz Caramelli.

O psiquiatra Geraldo Massaro, do Hospital das Clínicas, atribui parte da culpa pelo não cumprimento de promessas à falta de planejamento na hora de fazê-las.

“As pessoas não medem com clareza seus objetivos e fazem resoluções muito além de suas capacidades.”

Segundo ele, o plano deve ser concretizado aos poucos.

“Quando a pessoa vê que cumpriu uma parte da meta, isso funciona como reforço positivo e pode criar um novo hábito”, completa Caramelli.

Uma atividade física, por exemplo, deve ser praticada sempre na mesma hora, para que a rotina faça do exercício algo quase automatizado.

Outra medida que ajuda é reconhecer os próprios avanços, presenteando-se com algo prazeroso a cada meta atingida. Vale ir a um bom restaurante ou comprar aquele disco que está faltando na coleção.

“Se a pessoa está fazendo algo que vai contra o seu desejo, precisará de uma compensação para criar um desejo substituto”, diz Massaro.

Fonte: Folha.com

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