“Há tanta beleza no mundo”

Os grandes problemas e as pequenas felicidades na vida são apresentados no filme “Beleza Americana”

por Cleison Guimarães


Sempre passamos por crises ditas “existenciais” em nossas vidas, e é nesses momentos que tentamos compreender cada momento que vivemos, tentando dar sentido para eles e a única coisa que vemos é que nada daquilo que conquistamos faz sentido, o caminho mais saudável para isso é uma transformação, já dizia Eric Ericsson.

Em “Beleza Americana” é retratada a vida e as aventuras (se assim podemos chamar) de Lester Burnham, homem de 42 anos que não vê mais sentido na sua vida e se questiona porque era feliz e o deixou de ser, não só ele, mas sua esposa também, além de sua filha, uma típica adolescente com problemas juvenis. Eles vivem num contexto onde tentam manter as aparências de uma boa e correta família americana. É nesse cenário que Lester resolve mudar a sua vida. É demitido, alimenta desejos sexuais pela amiga de sua filha, arruma um emprego em uma lanchonete e começa a malhar e a usar drogas. É um destino que vai se delineando entre contatos com outros personagens e situações que levam ao final trágico de Lester.

A busca pela renovação e pela manutenção da juventude sempre fizeram parte da vida dos seres humanos, durante “Beleza Americana” somos guiados entre esses dois polos, um estar velho e o desejo de ser novo, desejo esse que reflete nos desejos escondidos dos personagens principais. Um continuo conflito entre ser, não ser e querer ser. Todos os personagens buscam durante a trama entender porque muitas vezes a vida se apresenta de uma tal forma que parece oprimir ao invés de permitir. Vemos personagens que estão sobrecarregado por uma vida de rotina, de  condicionamentos sociais, preocupação com o acumulo e com a aparência, são personagens que ficaram enrijecidos e perderam algo durante a vida. Reflexão essa que Lester faz, ele sabe que não é feliz porque perdeu algo. Durante o enredo de “Beleza Americana” a vida é apresentada como um conjunto de desencontros entre os próprios personagens, desencontros que são resultados da falta de um contato que existia no inicio do casamento de Lester e Carolyn e que ao passar dos dias e anos foi se perdendo.

“Beleza Americana” é um filme com um fim triste: Lester é assassinado; Mas o filme não deixa de perder sua função e beleza, a grande lição de “Beleza Americana” deixada através de seus personagens é: ainda existe algo de bom no mundo que as pessoas não conseguem enxergar por causa dos hábitos e condicionamentos aprendidos com a sociedade que são visto como saudáveis e que na maioria das vezes só oprimem e tiram a vitalidade e que a vida poderia ser mais um “Carpem Omnia” – um aproveite tudo. Lester morreu, mas morreu como um grande herói e com um singelo sorriso no rosto e com um olhar mais vivo do que nunca, isso porque viu seu estado de morbidez, resolveu encará-lo de frente – coisa que poucos fazem – e aceitou os riscos de poder viver de verdade, mesmo que isso traga conseqüências trágicas.

Cleison Guimarães é acadêmico de Psicologia. É escritor iniciante e blogueiro. Visite seu blog, o Caleidoscópio, aqui. Siga-o no twitter, aqui.
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Um comentário em ““Há tanta beleza no mundo”

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  1. Cleison. otima leitura do filme . Adoro quando leio essas coisas, essa visão mais precisa do que tá nas entrelinhas. Show!

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