E a moeda tem sempre dois lados

O vento que sopra doçuras
E, murmurando, segreda amores
É o mesmo que precede as dores,
Trescalando hálitos de amarguras.

A leve friagem da madrugada de plumas,
Que nos languesce aconchegantemente na cama,
É a mesma de onde surge, lívida, a branca dama,
Que no seu beijo gélido leva-nos, em meio às brumas.

A lua, cuja aura resplandece sobre a serra,
Enaltece não somente o ser que nos inspira,
Mas também aquele que, em nós, peca.

E o sol, que gentilmente desperta a terra,
A qual, bocejando, ao sono expira,
É o mesmo que a aquece e o mesmo que a seca.

 

(Eduardo Magalhães .’.)

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