Parkinson afeta aproximadamente 4 milhões de pessoas

A doença de Parkinson atinge cerca de 4 milhões de pessoas no mundo, com estimativas de esse número dobrar até 2040. Diante desse quadro, pesquisadores investem em estratégias diferenciadas, como o medicamento L-Dopa, a terapia genética, os transplantes celulares e o marcapasso cerebral.

Se diagnosticada a tempo, a patologia pode ser bem controlada com medicamentos em seu estágio inicial. Em um tratamento ideal é possível atenuar os sintomas durante oito a 15 anos – e a expectativa de vida dos afetados permanece quase normal. No entanto, o diagnóstico dificilmente é feito em seu início, pois a doença começa com sintomas pouco específicos, como tensões musculares em um dos ombros ou braços, o que faz as pessoas visitarem primeiro o ortopedista, e não o neurologista. Antes dos primeiros distúrbios de movimento, são frequentes cansaço, depressão ou crises repentinas de suor.

Muitas vezes, nada acontece durante anos – podem se passar de nove a 12 anos até a doença se manifestar completamente. Mas, pouco a pouco, fica cada vez mais difícil lidar com objetos cujo manejo exige habilidade motora fina, como enfiar linha na agulha. Também o ato de escrever é afetado e a letra dos pacientes vai se tornando menor e de difícil leitura. Por fim, as atividades cotidianas transformam-se em obstáculos quase intransponíveis: escovar os dentes, pentear os cabelos, amarrar os sapatos, abotoar a camisa. A longo prazo, os doentes precisam de acompanhamento, e sua qualidade de vida diminui sensivelmente.

Às dificuldades motoras somam-se problemas psíquicos: assim como os movimentos, os processos mentais ficam mais lentos. O fluxo de pensamentos se torna vagaroso, a fala soa arrastada e baixa. Cerca de um em cada dois pacientes é depressivo ou tem distúrbios de ansiedade; além disso, um em cada três sofre crises de demência.

Não apenas o tratamento médico, mas também o ambiente em que vive o paciente tem um papel importante no desenvolvimento da doença de Parkinson. Estar cercado de cuidados pode, muitas vezes, reduzir espantosamente os sintomas psíquicos, enquanto a fisioterapia regular estimula a capacidade de movimentação. Muitos doentes revelam-se grandes inventores quando se trata de administrar sua rotina. Eles ouvem música em um walkman para falar mais alto e claramente e desenhos no tapete os ajudam a se concentrar em seu caminho.

A indústria oferece sistemas ópticos para reduzir o grande risco de quedas: integrado em óculos especiais, o sistema denominado “ParkAid” projeta desenhos gráficos no campo de visão do paciente a fim de facilitar a sua orientação espacial. E a IBM desenvolveu um mouse especial que possibilita aos pacientes trabalhar ao computador sem tremores.

O grupo coordenado por Alfons Schnitzler, da Universidade de Düsseldorf, também trabalha com técnicas de vídeo. Para facilitar o controle dos sintomas, os pesquisadores instalaram câmeras no apartamento de cem pacientes. O que à primeira vista lembra um Big Brother possibilita a observação do ambiente caseiro: os pacientes mostram sua mobilidade quatro vezes ao dia, o que faz com que o médico possa decidir, mesmo a distância deles, se os sintomas se modificaram. Se for esse o caso, então a dose de medicamentos provavelmente precisa ser readequada. Em geral, o ajuste leva duas semanas na clínica, o que aumenta consideravelmente os custos. No entanto, um estudo de controle ainda precisa comprovar quanto esse método de fato funciona.

Os novos conhecimentos sobre a doença de Parkinson nos dão a esperança de que, nos próximos anos, pelo menos seu desenvolvimento poderá ser adiado. Para tanto, o diagnóstico precoce torna-se cada vez mais importante. Até agora são necessários pelo menos dois anos para a doença ser diagnosticada sem dúvida alguma – momento em que mais da metade das células nervosas das regiões cerebrais afetadas já está atrofiada. Um método certeiro, mas dispendioso, para um diagnóstico precoce é a tomografia computadorizada de emissão (PET), através da qual os processos de troca de substâncias do corpo humano podem ser observados. Nesse caso, por meio da atividade da L-Dopa radioativamente marcada, é possível concluir qual o estágio de degeneração dos neurônios. Em quase todos os casos, a doença pode ser diagnosticada antes de surgirem os primeiros sintomas aparentes.

A tomografia computadorizada de emissão de fóton único (Spect) se baseia em um princípio de medição semelhante. Há pouco tempo ela passou a ter uma precisão semelhante à PET, sendo porém mais barata e mais divulgada. Talvez a doença possa vir a ser reconhecida até mesmo por ultrassom. Para o diagnóstico isso seria uma revolução: ultrassom é extremamente barato e funciona sem substâncias radioativas.

O ideal seria se o próprio médico da família pudesse fazer o diagnóstico. Para tanto, seriam necessários meios de fácil manuseio – como um questionário elaborado por Günter Höglinger, da Universidade de Marburgo, em um trabalho conjunto com 18 clínicas médicas: em poucos minutos pode-se descobrir com precisão espantosa se um paciente sofre de uma síndrome de Parkinson motora precoce. Outra possibilidade foi desenvolvida por Peter Kraus, do Hospital St.-Josef, de Bochum: por meio da grafimetria ele retoma um antigo método a fim de classificar o tremor em estágios. Seus pacientes têm de desenhar uma espiral, e um programa de computador a avalia a partir de critérios padronizados. Os médicos podem enviar as espirais desenhadas por fax a Bochum e recebem uma avaliação em poucos minutos.

Outras doenças também indicam risco de Parkinson: a neurologista de Marburgo Karin Stiasny-Kolster descobriu em 2004 que pessoas com “sono agressivo” – pacientes que falam alto ou se batem durante o sono devido a sonhos agressivos – têm mais de 60% de possibilidade de adoecer mais tarde. Em quase todos os afetados nota-se também – assim como pacientes de Parkinson – diminuição do sentido olfativo. Heiko Braak conseguiu explicar o porquê: um tipo determinado da doença se inicia no centro olfativo e se encaminha então para o tronco cerebral, causando o distúrbio do sono. Somente depois a substância negra no mesencéfalo é atingida. Distúrbios olfativos que frequentemente antecedem o surgimento completo da doença de Parkinson podem ser, portanto, um primeiro sinal de alarme.

Fonte: Mente Cérebro

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