Ele reconhece você

Jackson Feijó ensinou o celular a identificar o rosto do dono. Esse tipo de inovação é bom para o país

Juliana Elias

NOSSA CARA Jackson Feijó mostra o programa em seu celular. Ele faz parte do grupo de desenvolvedores empregados pela Nokia em Manaus

Quem acha que já viu tudo em termos de inteligência celular ainda não encontrou o Facelock. É um programa que faz o aparelho reconhecer o próprio dono. Foi desenvolvido pelo cientista da computação Jackson Feijó, de 28 anos, que trabalha para o Instituto Nokia de Tecnologia (INdT), em Manaus, Amazonas. A ideia é substituir as senhas, que algumas pessoas usam para bloquear o telefone. Em vez de digitar um código, você encara o aparelho. Usando a câmera frontal, você posiciona seu rosto dentro de uma moldura no meio da tela. Em segundos, o celular reconhece seu rosto e se desbloqueia. O programa, gratuito, deverá ser lançado pela loja da Nokia nos próximos meses, inicialmente compatível com os modelos mais novos, como o N8 e o E7. O programa ainda não é perfeito. Se você mudar o corte de cabelo, deixar a barba crescer, passar uma maquiagem mais forte, talvez não funcione. Feijó diz que está tentando resolver isso.

A ideia do dispositivo veio do estudante Piyushi Verr, da Índia, um dos 7.700 internautas que participaram de um concurso promovido pela Nokia para pensar em programas que gostariam de ver no celular. A empresa lançou um desafio global. Quem conseguisse criar o produto em 36 horas ganharia US$ 100 mil. A equipe de Feijó topou. Filho de pai e mãe engenheiros de indústrias da Zona Franca de Manaus, Feijó cresceu brincando de criar máquinas. “Passei a infância em casa inventando coisas. Era meio Professor Pardal.” Nas feiras de ciências da escola, aos 15 anos, enquanto os colegas faziam experiências comuns, ele e seu pai criaram um protótipo de casa em que tudo era comandado pelo computador – acender a luz de um quarto, ligar o ar-condicionado ou abrir a porta da garagem. “Nos almoços de família, só se falava disso. Eu tinha duas opções: fugir completamente daquilo ou me apaixonar de vez.” Feijó fez ciência da computação na Universidade Federal do Amazonas. Seu primeiro estágio, na Nokia, se tornou seu emprego.

O Facelock segue a tendência de novas formas de comunicação visual entre humanos e seus aparelhos. A referência é o Kinect, console de games da Microsoft que responde à voz e aos movimentos do corpo do jogador. O criador do Kinect, Alex Kipman, é outro brasileiro. Em um Brasil que investe pouco em pesquisa, Feijó marca um território importante. “A presença de centros de tecnologia no Brasil é um pouco cíclica, depende das condições econômicas e dos incentivos de governo”, diz Eduardo Tude, presidente da consultoria Teleco, especializada no setor. A própria Nokia só trouxe o INdT para o Brasil, em 2001, por conta das contrapartidas às isenções fiscais da Lei da Informática. Agora, com o crescimento da renda e do consumo dos brasileiros, o país precisa formar mais jovens criativos, como Jackson, para gerar uma economia baseada no conhecimento e na inovação. O desafio é usar a base instalada de empresas brasileiras e estrangeiras para fazer isso. “Isso exige investimento em qualificação profissional para complementar os incentivos às pesquisas privadas”, diz Tude. Para Fernando Belfort, da consultoria Frost & Sullivan, mesmo com a falta de especialistas e a grande burocracia que afastam investimentos, o brasileiro tem um ingrediente acima da média mundial: a criatividade.

Fonte: Época

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