Crescer em uma cidade grande pode afetar negativamente a saúde mental

“Viver na cidade grande durante os primeiros anos de vida significa que a pessoa ficará mais alerta a situações de estress para o resto da vida”, afirma Jens Pruessner, da Universidade de Heidelberg.

Redação Época

Uma nova pesquisa traz um dado preocupante para os habitantes dos grandes centros urbanos: viver e, até pior, criar-se em uma grande cidade pode afetar negativamente a saúde mental da pessoa. Pesquisadores do Instituto de Saúde Mental da Universidade de Heidelberg publicaram nesta sexta-feira (24) um estudo mostrando como as diferentes estruturas cerebrais respondem a diferentes estímulos de estresse social dependendo do ambiente em que a pessoa mora.

A pesquisa apontou, por exemplo, que um morador de uma metrópole como Nova York ou São Paulo ativa com mais frequência sensores na amídala, que controla, entre outras, emoções como a ansiedade e o medo. O pesquisador Andreas Meyer-Lindenberg e sua equipe usaram sistemas de mapeamento e fotografia cerebral para demonstrar como ocorrem essas ativações nervosas.

A amídala, por exemplo, é comumente acionada em situações de estress ou quando a pessoa está ou se sente ameaçada. Moradores de centros urbanos, porém, têm a região do cérebro que aciona a amídala mais sensível e, por isso, desenvolvem respostas a situações do tipo mesmo quando não existem – ao contrário, por exemplo, de quem more no campo ou em cidades menores.

O estudo também mostra que os moradores das grandes cidades têm duas vezes mais chances de desenvolver esquizofrenia – e pior: quanto maior a cidade, maior o risco. As chances pioram se a pessoa nasceu e se criou em um grande centro urbano. Os pesquisadores descobriram que mesmo depois de se mudarem para o campo, essas pessoas apresentaram atividade anormal em outra região do cérebro: o córtex cingular.

“Viver na cidade grande durante os primeiros anos de vida significa que a pessoa ficará mais alerta a situações de estress desencadeadas pelo córtex cingular para o resto da vida”, afirma Jens Pruessner, diretor de um centro de envelhecimento e Alzheimer do Instituto de Saúde Mental de Heidelberg.

“Os resultados identificam mecanismos neurológicos distintos para um fator de risco ligado ao ambiente, e liga o ambiente urbano pela primeira vez ao processamento de estress social. Isso sugere que há diferenças na vulnerabilidade das regiões cerebrais”, afirma Meyer-Lindenberg.

Os estudos foram feitos com estudantes da universidade, e os pesquisadores querem, agora, ampliá-lo para a população geral para entender melhor como o processo funciona.

LH

Fonte: Época

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