O mais perto que cheguei de ser psicólogo

por Cleison Guimarães

Antes de tudo preciso pedir desculpas pela minha ausência repentina nas postagens, só preciso lembrar que sou estudante e finalista na graduação, é o mesmo que dizer que não tenho muito tempo e acabo esquecendo algumas coisas e quando lembro já passou e não tem como voltar atrás. Mas acredito que este ano poderei continuar com as postagens mais freqüentes.

Iniciemos. Para situar a todos estou no período da faculdade onde escolhemos que linha de atuação do estágio que queremos seguir (Clinica ou Organizacional), escolhi Clínica porque sempre quis conhecer essa área (talvez pelo privilegio dela ter o lugar de maior destaque da área psi).

É um momento que tem uma mistura de animador e desesperador, porque sabemos o quanto vamos ficar perto do sofrimento de uma pessoa

Animador porque estamos tendo o primeiro contato com o papel de terapeuta, ou seja, você já começa a sentir o que um psicólogo vivencia durante o período dentro de um consultório. Mas você lembra que é só a sensação, porque ainda é um estudante e não sabemos o quanto você está preparado isso.

Devemos lembrar que sempre existe aquela historia da neutralidade no setting terapêutico, mas, sinceramente, acredito que isso seja algo mais teórico, porque sempre é muito difícil não ligar para a dor existencial de uma pessoa. A neutralidade é mais uma questão de bioética, por você estar lidando com uma pessoa, como uma vida.

Outro ponto desesperador é: durante as sessões você vai tendo o seguinte pensamento: eu devia ter estudado mais. Sabe por quê? Porque você já é um finalista e depois não terá os livros do seu lado e nem terá a desculpa “eu ainda estou estudando”, você não poderá pedir para um paciente parar de chorar porque precisa consultar um livro de Freud para saber o que o mesmo está sentindo.

Com isso, fico pensando o quanto a nossa própria experiência enquanto “pessoa” pode auxiliar o outro? Apesar de que “devemos” ser neutros e empáticos.

Sim, eu acredito que nossa experiência pessoal pode ajudar quando precisamos dizer algo reconfortante para nosso cliente, porque precisamos viver experiências humanas para ajudar outro que está vivendo a sua vida.

Gosto de lembrar a minha primeira supervisão em psicologia clinica, meu supervisor disse que “precisamos sofrer mais de amor, quebrar mais a cara com o mundo, porque é isso que acontece com os pacientes, eles sofrem com o jeito que vivem, porque eles não se vivem”.

Pode parecer pessimista ou estranho dizer que precisamos quebrar mais a cara, mas se pensarmos que antes de sermos felizes no mínimo precisamos sofrer um pouco antes. Talvez os seres humanos aprendam muito mais quando a tristeza faz parte da vida.

Por fim, somos psicólogos? Somos, mas isso é apenas uma parte da nossa personalidade, isso não nos torna livres de “quebrar” a cara com certos “amores” só porque estudamos, apenas sendo um ser humano com todas as alegrias e tristezas humanas, ou seja, uma vida bem humana, que será possível compreender plenamente outro ser humano.

* * *

Cleison Guimarães é acadêmico de Psicologia. Está no facebook, no twitter e tem blogs. Visite seu blog, o Caleidoscópio, aqui. Siga-o no twitter, aqui.

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7 comentários em “O mais perto que cheguei de ser psicólogo

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